Cantinho da Laranja Lima






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música

Louvação à Oxum

Maria Bethânia

clique e conheça
Terra e Mar Músicas


Mergulhe no meio das coisas, suje as mãos, caia de joelhos e só então procure alcançar as estrelas.

John L. Curcio


Ensinarás a voar…
mas não voarás
o teu voo.
Ensinarás a sonhar…
mas não sonharão
o teu sonho.
Ensinarás a viver…
mas não viverão
a tua vida.
Ensinarás a cantar…
mas não cantarão
a tua canção.
Ensinarás a pensar
mas não pensarão
como tu.
Porém,saberás que cada
vez que voem,
sonhem,vivam, cantem
e pensem…
estará a semente
do caminho
ensinado e aprendido.

Madre Teresa de Calcutá


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Tudo está ligado, como o sangue que une uma família.
Todas as coisas estão ligadas.
O que acontece à Terra recai sobre os filhos da Terra.
Não foi o homem que teceu a trama da vida.
Ele é só um fio dentro dela.
Tudo o que ele fizer à teia estará fazendo a si mesmo.

Chefe Seattle (1856)



Ave da Esperança

Passo a noite a sonhar o amanhecer.
Sou a ave da esperança.
Pássaro triste que na luz do sol
Aquece as alegrias do futuro,
O tempo que há-de vir sem este muro
De silêncio e negrura
A cercá-lo de medo e de espessura
Maciça e tumular;
O tempo que há-de vir - esse desejo
Com asas, primavera e liberdade;
Tempo que ninguém há-de
Corromper
Com palavras de amor, que são a morte
Antes de se morrer.

Miguel Torga


Só peço a Deus

Só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a seca morte não me encontre
Vazio e só sem haver feito o suficiente.

Só peço a Deus
Que o injusto não me seja indiferente
Que não me esbofeteiem a outra face
Depois que uma garra me arranhou esta sorte.

Só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e pisa forte
Toda a pobre inocência das pessoas.

Só peço a Deus
Que o engano não me seja indiferente
Se um traidor pode mais que uns tantos
Esses tantos não esqueçam facilmente.

Só peço a Deus
Que o futuro não seja indiferente
Desesperançoso estão que tem que marchar
A viver uma cultura diferente.

Só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e pisa forte
Toda a pobre inocência das pessoas.

Leon Gieco

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Antes de seres
Só havia céu e vento
E a vida era lisa e passava.
Só o vento, feito brisa, me sussurrava
O teu nome.
E eu não o entendia.
Porque era tempo de céu e vento,
De vida lisa, dia a dia,
Sem sonhos de terra
E de pés para caminhar.
Quando a meus olhos
Sólido e concreto te tornaste,
Quando de ti soube o nome
E o tocar,
Não mais a vida foi lisa
Tempo breve.
E sonhei caminhos e terra
E corpo para chegar.

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O amor é a coisa mais alegre.
O amor é a coisa mais triste.
O amor é a coisa que mais quero.
Aquilo que a memória amou fica eterno.

Adelia Prado

*

Saudade é o revés de um parto. Saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu...

Chico Buarque

*

Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter,
ter deve ser a pior maneira de gostar.

Jose Saramago

*

Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclípse...

A conquista da liberdade é algo que faz tanta poeira, que por medo da bagunça, preferimos, normalmente, optar pela arrumação.

Carlos Drummond de Andrade

*

A vida é a arte do encontro. Embora haja tanto desencontro pela vida.

"...que não seja eterno, posto que é chama,
mas, que seja imortal, infinito, enquanto dure..."

Vinícius de Morais

*

Caminhante, tuas pegadas
são o caminho, nada mais.
Caminhante, não há caminhos,
faz-se o caminho ao andar.

Antônio Machado

*

O sábio espera tudo de si mesmo. O homem espera dos outros.

Confúcio

*

Não se preocupe em entender! Viver ultrapassa todo entendimento.

Clarice Lispector

*

Cansei de ser moderno. quero ser eterno.

Picasso

*

O impossível é o possível que nunca foi tentado. Chega quem caminha!.

Charles Chaplin

*

Temos sentido muito pouca alegria. Este somente, é o nosso pecado original.

Nietzche

*

A única diferença entre um louco e eu, é que eu não sou louco.

Quando pinto, marulha o mar. Os outros chapinham na água da banheira.

O desejo de sobreviver e o medo perante a morte, são emoções próprias do artista.

As duas maiores felicidades que podem suceder a um pintor são:
- ser espanhol,
- chamar-se Dalí.

Salvador Dalí

*

A alma é uma paisagem. As paisagens da alma não podem ser comunicadas. Quanto mais fundo entramos nas paisagens da alma, mais silenciosos ficamos.

A exuberância do conhecimento científico vai, frequentemente, lado a lado com uma total penúria de sabedoria.

Rubem Alves

*

"...e o fim de vossa viagem será chegar ao lugar de onde
partimos. E conhecê-lo então pela primeira vez".

T. S. Eliot

*

Quadras...

Vai alta a nuvem que passa.
Vai alto o meu pensamento
Que é escravo da tua graça
Como a nuvem o é do vento.

*

As gaivotas, tantas, tantas,
Voam no rio que é o mar…
Também sem querer encantas,
Nem é preciso voar.

*

Todos os dias que passam
Sem passares por aqui
São dias em que só passa
O estar a esperar-te a ti.

*

Tenho um livrinho onde escrevo
O que me lembro de ti.
Esse livro é o meu enlevo
Ainda lá nada escrevi.

*

Leve vem a onda breve
Que se estende a adormecer,
Breve vem a onda leve
Que nos ensina a esquecer.

*

Tenho um segredo a dizer-te
Que não te posso dizer.
E com isto já t’o disse
Estavas farta de o saber…

*

Compreender um ao outro
É um jogo complicado,
Pois não sabe quem engana
Se não estará enganado.

*

Quando compões o cabelo
Com a tua mão distraída,
Fazes-me um novelo
No pensamento da vida.

*

Teus olhos de quem fita –
Vagueiam, ‘stão na distância.
Se não fosses tão bonita
Isso não tinha importância.

*

Toda a noite, toda a noite,
Toda a noite sem pensar…
Toda a noite sem dormir
E sem tudo isso acabar…

*

Tenho uma pena que escreve
Aquilo que eu sempre sinta.
Se é mentira, escreve leve.
Se é verdade, não tem tinta.

*

Teus olhos poisam no chão
Para não me olhar de frente.
Tens vontade de sorrir
Ou de rir? É tão diferente.

Fernando Pessoa

***

Oração a São Expedito

Meu Santo Expedito das causas justas e urgentes interceda por mim junto ao Nosso Senhor Jesus Cristo, socorra-me nesta hora de aflição e desespero, meu Santo Expedito Vós que sois um Santo guerreiro, Vós que sois o Santo dos aflitos, Vós que sois o Santo dos desesperados, Vós que sois o Santo das causas urgentes, proteja-me. Ajuda-me, Dai-me força, coragem e serenidade. Atenda meu pedido (Fazer o pedido). Meu Santo Expedito! Ajuda-me a superar estas horas difíceis, proteja de todos que possam me prejudicar, proteja minha família, atenda ao meu pedido com urgência. Devolva-me a paz e a tranqüilidade. Meu Santo Expedito! Serei grato pelo resto de minha vida e levarei seu nome a todos que têm fé.

Muito obrigado.

(Rezar 1 Pai Nosso, 1 Ave Maria e fazer o sinal da cruz)

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Eu e Água

A água arrepiada pelo vento.
A água e seu cochicho.
A água e seu rugido.
A água e seu silêncio.

A água me contou muitos segredos.
Guardou os meus segredos.
Refez os meus desenhos.
Trouxe e levou meus medos.

A grande mãe me viu num quarto
cheio d’água.
Num enorme quarto lindo e
cheio d’água.
E eu nunca me afogava.

O mar total e eu dentro do
eterno ventre.
E a voz do meu pai, voz de
muitas águas.
Depois o rio passa.
Eu e água.
Eu e água.
Eu.

Cachoeira, lago, onda, gota.
Chuva miúda, fonte, neve, mar.
A vida que me é dada.
Eu e água.

Água, lava as mazelas do mundo.
E lava a minha alma.

Caetano Veloso

Louvação a Oxum

Kerêô declaro aos de casa que estou chegando
Quem sabe venha buscar-me em festa
Orarei a Oxum
Que adoro Oxum, sei que sim
Xinguinxi comigo

Oxum que me cura com água fresca
Sem gota de sangue
Dona do oculto, a que sabe e cala
No puro frescor de sua morada
Oh! Minha mãe, rainha dos rios
Água que faz crescer as crianças
Dona da brisa de lagos
Corpo divino sem osso nem sangue

Orarei a Oxum
Que adoro Oxum, sei que sim
Xinguinxi comigo

Eu saúdo quem rompe na guerra
Senhora das águas que correm caladas
Oxum das águas de todo som
Água da aurora no mar agora
Bela mãe da grinalda de flores
Alegria da minha manhã

Orarei a Oxum
Que adoro Oxum, sei que sim
Xinguinxi comigo

Ipondá que se oculta no escuro
De longe me chega a cintilação
dos seus cílios
Oxum é água que aparta a morte
Oxum melhora a cabeça ruim
A yê yê orarei!
Bendita onda que inunda a casa do traidor

Orarei a Oxum
Que adoro Oxum, sei que sim
Xinguinxi comigo

Oxum que eu bendigo na boca do dia
Oxum que eu adoro
Rica de dons
Riqueza dos rios
Oxum que chamei
Que não chamei
Adê-okô
Senhora das águas

Maria Bethânia

Oxum,

Que o seu manto sagrado nos envolva e nos recorde a sabedoria de "saber ser mulher";
Que suas águas nos purifique e nos lembre o real sentido da vida;
Que sua cor dourada nos remeta ao sol, que brilha internamente em cada coração;
Que sua doçura possa confortar os aflitos e sua alegria trazer esperança aos teus filhos;
E que sua beleza e sua força nos ajude a caminhar, em tempos de tantas mudanças
.(Ana P. N. Andrade)   

Eri Yéyé ó!

nos dê sua benção...

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por Lali






 

 

Iansã

Cetano Veloso

"Para onde vai a minha vida e quem a leva?
Porque eu faço sempre o que não queria?
Que destino contínuo se passa em mim na treva?
Que parte de mim, que eu desconheço, é que me guia?"

Senhora das nuvens de chumbo
Senhora do mundo dentro de mim
Rainha dos raios, rainha dos raios
Rainha dos raios, tempo bom, tempo ruim
Senhora das chuvas de junho
Senhora de tudo dentro de mim
Rainha dos raios, rainha dos raios
Rainha dos raios, tempo bom, tempo ruim
Eu sou o céu para as tuas tempestades
Um céu partido ao meio no meio da tarde
Eu sou um céu para as tuas tempestades
Deusa pagã dos relâmpagos
Das chuvas de todo ano
Dentro de mim, dentro de mim


Iansã

Iansã, Cadê Ogum?
Foi pro mar!
Mas Iansã, Cadê Ogum?
Foi pro mar!

Iansã penteia
Os seus cabelos macios
Quando a luz da lua cheia
Clareia as águas do rio
Ogum sonhava
Com a filha de Nanã
E pensava q as estrelas
Eram os olhos de Iansã

Mas Iansã, Cadê Ogum?
Foi pro mar!

Iansã, Cadê Ogum?
Foi pro mar!

Na terra dos orixás
Um amor se dividia
Entre um deus que era de paz
E outro deus que combatia
Como a luta só termina
Quando existe um vencedor
Iansã virou rainha na coroa de xangô

Mas Iansã, Cadê Ogum?
Foi pro mar!

 

Prece à Iansã

Oiá... Oiá... nossos passos. Iansã, Rainha, Mãe e Protetora. Epahei nossa mãe Divina. Deusa divina dos ventos e das tempestades. Deixa-nos sentir também a tua bonança. Iansã dos relâmpagos, dá-nos uma faísca da tua graça divina. Epahei, Epahei... Oiá!

Epahei!

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por Lali






A casa

Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia
Entrar nela não
Porque na casa
Não tinha chão
Ninguém podia
Dormir na rede
Porque a casa
Não tinha parede
Ninguém podia
Fazer pipi
Porque penico
Não tinha ali
Mas era feita
Com muito esmero
Na Rua dos Bobos
Número Zero.



O pato

Lá vem o Pato
Pata aqui, pata acolá
Lá vem o Pato
Para ver o que é que há.
O Pato pateta
Pintou o caneco
Surrou a galinha
Bateu no marreco
Pulou do poleiro
No pé do cavalo
Levou um coice
Criou um galo
Comeu um pedaço
De jenipapo
Ficou engasgado
Com dor no papo
Caiu no poço
Quebrou a tigela
Tantas fez o moço
Que foi pra panela.

 

O relógio

Passa, tempo, tic-tac
Tic-tac, passa, hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, e vai-te embora
Passa, tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora
Que já estou
Muito cansado
Já perdi
Toda a alegria
De fazer
Meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac... 

 

A porta

Eu sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta.

Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado
Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
Eu abro de supetão
Pra passar o capitão.

Só não abro pra essa gente
Que diz (a mim bem me importa...)
Que se uma pessoa é burra
É burra como uma porta.

Eu sou muito inteligente!
Eu fecho a frente da casa
Fecho a frente do quartel
Fecho tudo nesse mundo
Só vivo aberta no céu!
                                                                 

...de Vinicius de Moraes

bjus..meu Eu...

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por Lali






"...E cruzam-se as linhas no fino tear do destino. Tuas mãos nas minhas." Guilherme de Almeida

Olhas-me

Olhas-me
e as palavras multiplicam-se nas palmas das minhas mãos
nos teus cabelos fundos viaja a minha voz.
Falas-me
e mares abrem-se
que se arrepiam de beijos e carícias dos ventos.
E amo-te no infindável meio-dia.

Dímitra Mandá

 

Se abrirán las flores

Flores, las flores se abrirán,
Puras y audaces florecerán en nuestro espíritu.
Blancas, la juventud se arrojará
Resueltamente hacia la transformación, encendiendo las llamas de nuestra certidumbre.
La sabiduría contra el desencanto
Da un paso adelante, hacia las multitudes.
Vida presta al sacrificio
En medio de la confusión, para el bien del pueblo.
Flores, las flores se abrirán en toda su osadía
Lentamente podrán florecer, para durar eternamente.
Aquí, allí y en todo lugar
Frescas flores, para todo el pueblo.

Chiranan Pitpreecha
Tradução de Raúl Jaime Gaviria

Porque era ela, porque era eu

Eu não sabia explicar nós dois
Ela mais eu, por que eu e ela
Não conhecia poemas
Nem muitas palavras belas
Mas ela foi me levando
Pela mão

Íamos tontos os dois assim ao léu
Ríamos, chorávamos sem razão
Hoje, lembrando-me dela
Me vendo nos olhos dela
Sei que o que tinha de ser se deu
Porque era ela
Porque era eu

Chico Buarque

...meu Eu..beijos..

 

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Coisas Sensuais de Lali

Coisas de Lali 



por Lali






Serenamente

Aqui serenamente
sou feliz
sem qualquer memória do passado

sem qualquer cansaço
mascarado
ou trevas que encubram
qualquer escombro

de ti tudo o que vem
é quente e súbito

da tua voz
amor
do nosso encontro único

Maria Teresa Horta

"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

Clarice Lispector

Se tem luar no céu
Retira o véu e faz chover
Sobre o nosso amor

Chuva de prata que cai sem parar
Quase me mata de tanto esperar
Um beijo molhado de luz
Sela o nosso amor

Basta um pouquinho de mel prá adoçar
Deixa cair o seu véu sobre nós
Oh, lua bonita no céu molha o nosso amor

Toda vez que o amor disser: Vem comigo!
Vai sem medo de se arrepender
Você deve acreditar no que é lindo
Pode ir fundo, isso é que é viver

Cola seu rosto no meu, vem dançar
Pinga seu nome no breu pra ficar
Enquanto se esquece de mim
Lembra da canção

Toda vez que o amor disser: Vem comigo!
Vai sem medo de se arrepender
Você deve acreditar no que eu digo
Pode ir fundo, isso é que é viver

Chuva de prata que cai sem parar
Quase me mata de tanto esperar
Um beijo molhado de luz
Sela o nosso amor
Enquanto se esquece de mim
Lembra da canção
Oh, lua bonita no céu
Banha o nosso amor...

beijo vc...meu Eu.



por Lali






Mar

Mar!
E é um aberto poema que ressoa
No búzio do areal...
Ah, quem pudesse ouvi-lo sem mais versos!
Assim puro,
Assim azul,
Assim salgado...
Milagre horizontal
Universal,
Numa palavra só realizado.

Miguel Torga

Casa branca

Casa branca em frente ao mar enorme,
Com o teu jardim de areia e flocos marinhas
E o teu silêncio intacto em que dorme
O milagre das coisas que eram minhas.

A ti eu voltarei após o incerto
Calor de tantos gestos recebidos
Passados os tumultos e o deserto
Beijados os fantasmas, percorridos
Os murmúrios da terra indefinida.

Em ti renascerei num mundo meu
E a redenção virá nas tuas linhas
Onde nenhuma coisa se perdeu
Do milagre das coisas que eram minhas.

Sophia de Mello Breyner

Balada das vinte meninas friorentas

Vinte meninas, não mais,
Eu via ali no beiral:
Tinham cabecinha preta
E branquinho o avental.
Vinte meninas, não mais,
Eu via naquele muro:
Tinham cabecinha preta,
Vestidinho azul escuro.
As minhas vinte meninas,
Capinhas dizendo adeus,
Chegaram na Primavera
E acenaram lá dos céus.
As minhas vinte meninas
Dormiam quentes num ninho
Feito de amor e de terra,
Feito de lama e carinho.
As minhas vinte meninas
Para o almoço e o jantar
Tinham coisas pequeninas,
Que apanhavam pelo ar.
Já passou a Primavera
Suas horas pequeninas:
E houve um milagre nos ninhos.
Pois foram mães, as meninas!
Eram ovos redondinhos
Que apetecia beijar:
Ovos que continham vidas
E asinhas para voar.
Já não são vinte meninas
Que a luz do Sol acalenta.
São muitas mais! muitas mais!
Não são vinte, são oitenta!
Depois oitenta meninas
Eu via ali no beiral:
Tinham cabecinha preta
E branquinho o avental.
Mas as oitenta meninas,
Capinhas dizendo adeus,
Em certo dia de Outono
Perderam-se pelos céus.

Matilde Rosa Araújo

beijo em voce...

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onde estou... 
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por Lali






... A cortina que separa as minhas
canções das tuas por um momento
esvoaçou ao vento. Então vi que a luz
da tua manhã estava repleta das canções
mudas que eu jamais cantei... Pensei
que as aprenderia aos teus pés, e
sentei-me, em silêncio...

Tagore

As carícias do olhar são as mais adoráveis
Chegam ao fundo da alma, aos limites do Ser.
e libertam assim segredos inefáveis
de outro modo em silêncio, e sem ninguém saber.
Os beijos puros, são grosseiros, junto a elas;
mais que qualquer palavra o seu falar é forte;
nada exprime melhor, no mundo, as coisas belas
que passam num momento, em efêmera sorte.
Quando a idade envelhece a boca em seu sorrir
que as rugas vão marcando aos poucos de amargura,
intacta ainda, mantém sua límpida ternura.
Feitas para inebriar, consolar, seduzir,
guardam toda a doçura, e os ardores e o encanto!
Que outra carícia em luz trespassa o nosso pranto?

Auguste Angellier

Tradução J.G. de Araujo Jorge

...Nem mesmo o céu...nem as estrelas...nem mesmo o mar e o infinito...nada é maior que o meu amor..nem mais bonito…como é grande o meu amor por voce..

...

...Eu te proponho nós nos amarmos...nos entregarmos...neste momento tudo lá fora deixar ficar...eu te proponho te dar meu corpo...depois do amor...o meu conforto ...e além de tudo...depois de tudo...te dar a minha paz...

te beijo...meu Eu..

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por Lali






 

 

"Felicidade


É uma cidade pequenina


É uma casinha, é uma colina


Qualquer lugar que se ilumina


Quando a gente quer amar"


(Pão e Poesia - Moraes Moreira - Fausto Nilo)

Meninos de todas as cores
 

Era uma vez um menino branco chamado Miguel, que vivia numa terra de brancos e dizia:

É bom ser branco
Porque é branco o açúcar, tão doce
Porque é branco o leite tão saboroso
Porque é branca a neve, tão linda

Mas certo dia o menino partiu numa grande viagem e chegou a uma terra onde todos os meninos são amarelos. Arranjou uma amiga chamada Flor de Lótus que, como todos os meninos amarelos dizia:

É bom ser amarelo
Porque amarelo é o sol
E amarelo o girassol
Mais a areia amarela da praia.

O menino branco meteu-se num barco para continuar a sua viagem e parou numa terra onde todos os meninos são pretos. Fez-se amigo de um pequeno caçador, chamado Lumumba que, como todos os meninos preto, dizia:

É bom ser preto como a noite
Preto como as azeitonas
Preto como as estradas
que nos levam a toda a parte

O menino branco entrou num avião, que só parou numa terra onde todos os meninos são vermelhos. Escolheu, para brincar aos índios, um menino chamado Pena de Águia.
E o menino vermelho dizia:

É bom ser vermelho
Da cor das fogueiras
Da cor das cerejas
E da cor do sangue bem encarnado

O menino branco foi correndo mundo até onde os meninos são castanhos. Aí fazia corridas de camelos com um menino chamado Ali Babá, que dizia:

É bom ser castanho
Como a terra do chão
Os troncos das árvores
É tão bom ser castanho como o chocolate

Quando o menino voltou à sua terra de meninos brancos, dizia:

É bom ser branco como o açúcar
Preto como as estradas
Vermelho como as fogueiras
Castanho da cor do chocolate.

Enquanto, na escola, os meninos pintavam em folhas brancas desenhos de meninos brancos, ele fazia grandes rodas com meninos sorridentes de todas as cores.

Luísa Ducla Soares

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onde estou... 
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por Lali






 

 

Coisa tua

(Waltel Branco e Alice Ruiz)


assim que vi você
logo vi que ia dar coisa
coisa feita pra durar,
batendo duro no peito
até eu acabar virando
alguma coisa
parecida com você
parecia ter saído
de alguma lembrança antiga
que eu nunca tinha vivido,
mas ia viver um dia
alguma coisa perdida
que eu nunca tinha tido
alguma voz amiga
esquecida no meu ouvido
agora não tem mais jeito,
carrego você no peito
poema na camiseta
com a tua assinatura
já nem sei se é você mesmo
ou se sou eu que virei alguma coisa tua"

Ninguém me canta como você

(Itamar Assumpção e Alice Ruiz)

Ninguém me canta
como você
ninguém me encanta
como você
nem me vê
do jeito
que só você
de que adianta
ter olhos
e não saber ver
ter voz
mas não ter o que dizer
digam o que disserem
façam o que quiserem
ninguém diz
ninguém vê
ninguém faz
como você
ninguém me canta
ninguém me encanta
como você."

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...pois é...rsrs..
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bjus meu Eu...
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onde estou... 
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por Lali






Triste Partida

Patativa do Assaré

 Meu  Deus, meu Deus. . .

Setembro passou
Outubro e Novembro
Já tamo em Dezembro
Meu Deus, que é de nós,
Meu Deus, meu Deus
Assim fala o pobre
Do seco Nordeste
Com medo da peste
Da fome feroz
Ai, ai, ai, ai

A treze do mês
Ele fez experiênça
Perdeu sua crença
Nas pedras de sal,
Meu Deus, meu Deus
Mas noutra esperança
Com gosto se agarra
Pensando na barra
Do alegre Natal
Ai, ai, ai, ai

Rompeu-se o Natal
Porém barra não veio
O sol bem vermeio
Nasceu muito além
Meu Deus, meu Deus
Na copa da mata
Buzina a cigarra
Ninguém vê a barra
Pois a barra não tem
Ai, ai, ai, ai

Sem chuva na terra
Descamba Janeiro,
Depois fevereiro
E o mesmo verão
Meu Deus, meu Deus
Entonce o nortista
Pensando consigo
Diz: "isso é castigo
não chove mais não"
Ai, ai, ai, ai

Apela pra Março
Que é o mês preferido
Do santo querido
Senhor São José
Meu Deus, meu Deus
Mas nada de chuva
Tá tudo sem jeito
Lhe foge do peito
O resto da fé
Ai, ai, ai, ai

Agora pensando
Ele segue outra tria
Chamando a famia
Começa a dizer
Meu Deus, meu Deus
Eu vendo meu burro
Meu jegue e o cavalo
Nós vamos a São Paulo
Viver ou morrer
Ai, ai, ai, ai

Nós vamos a São Paulo
Que a coisa tá feia
Por terras alheia
Nós vamos vagar
Meu Deus, meu Deus
Se o nosso destino
Não for tão mesquinho
Cá e pro mesmo cantinho
Nós torna a voltar
Ai, ai, ai, ai

E vende seu burro
Jumento e o cavalo
Inté mesmo o galo
Venderam também
Meu Deus, meu Deus
Pois logo aparece
Feliz fazendeiro
Por pouco dinheiro
Lhe compra o que tem
Ai, ai, ai, ai

Em um caminhão
Ele joga a famia
Chegou o triste dia
Já vai viajar
Meu Deus, meu Deus
A seca terrível
Que tudo devora
Lhe bota pra fora
Da terra natá
Ai, ai, ai, ai

O carro já corre
No topo da serra
Oiando pra terra
Seu berço, seu lar
Meu Deus, meu Deus
Aquele nortista
Partido de pena
De longe acena
Adeus meu lugar
Ai, ai, ai, ai

No dia seguinte
Já tudo enfadado
E o carro embalado
Veloz a correr
Meu Deus, meu Deus
Tão triste, coitado
Falando saudoso
Seu filho choroso
Exclama a dizer
Ai, ai, ai, ai

De pena e saudade
Papai sei que morro
Meu pobre cachorro
Quem dá de comer?
Meu Deus, meu Deus
Já outro pergunta
Mãezinha, e meu gato?
Com fome, sem trato
Mimi vai morrer
Ai, ai, ai, ai

E a linda pequena
Tremendo de medo
"Mamãe, meus brinquedo
Meu pé de fulô?"
Meu Deus, meu Deus
Meu pé de roseira
Coitado, ele seca
E minha boneca
Também lá ficou
Ai, ai, ai, ai

E assim vão deixando
Com choro e gemido
Do berço querido
Céu lindo azul
Meu Deus, meu Deus
O pai, pesaroso
Nos filho pensando
E o carro rodando
Na estrada do Sul
Ai, ai, ai, ai

Chegaram em São Paulo
Sem cobre quebrado
E o pobre acanhado
Percura um patrão
Meu Deus, meu Deus
Só vê cara estranha
De estranha gente
Tudo é diferente
Do caro torrão
Ai, ai, ai, ai

Trabaia dois ano,
Três ano e mais ano
E sempre nos prano
De um dia vortar
Meu Deus, meu Deus
Mas nunca ele pode
Só vive devendo
E assim vai sofrendo
É sofrer sem parar
Ai, ai, ai, ai

Se arguma notíça
Das banda do norte
Tem ele por sorte
O gosto de ouvir
Meu Deus, meu Deus
Lhe bate no peito
Saudade lhe molho
E as água nos óio
Começa a cair
Ai, ai, ai, ai

Do mundo afastado
Ali vive preso
Sofrendo desprezo
Devendo ao patrão
Meu Deus, meu Deus
O tempo rolando
Vai dia e vem dia
E aquela famia
Não vorta mais não
Ai, ai, ai, ai

Distante da terra
Tão seca mas boa
Exposto à garoa
À lama e o paú
Meu Deus, meu Deus
Faz pena o nortista
Tão forte, tão bravo
Viver como escravo
No Norte e no Sul
Ai, ai, ai, ai

 Fico com medo. Mas o coração bate.
O amor inexplicável faz o coração
bater mais depressa. A garantia única é que eu nasci.
Tu és uma forma de ser eu, e eu uma forma de te ser:
Eis os limites de minha possibilidade.

Clarice Lispector

voce...sempre..beijo...

 

onde estou...

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